Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

...

D. CADIMA
Artista Plástico - Pintor/Poeta
***
Deolindo Pessoa Cadima, nasceu na vila de Montemor-o-Velho/Portugal.
Desde criança que sentia um certo apelo pela arte, mas é com cerca de onze anos de idade que começa a encarar a pintura como hobby.
Pintor autodidacta, amador, paisagista e retratista, a pintura é hoje, a sua principal ocupação. Por entretenimento, dedica-se também á poesia, com livro editado, intitulado Pétalas de Lágrimas. Considera-se realista, na medida que procura retratar, com a sua fidelidade, não só aquilo que vê, mas também aquilo que sente e que lhe vai na alma.
Ao longo de quase toda a sua vida a fazer pintura, tem exposto individualmente em média duas vezes por ano. Também tem feito algumas exposições colectivas.
Encontra-se em colecções em Portugal e no estrangeiro.
Está representado no Museu Municipal da Lousã/Portugal - (Professor Àlvaro Viana de Lemos).
É aposentado da função pública.
***
*
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**
*
São Francisco de Assis

- Por ser um grande devoto deste santo, aqui transcrevo a sua oração, que merece ser meditada por todos os HOMENS -

Oração de São
Francisco de Assis

 

Senhor ! Fazei de
mim um instrumento da vossa paz.

 

Onde houver ódio,
que eu leve o amor.

Onde houver ofensa,
que eu leve o perdão.

Onde houver
discórdia, que eu leve a união.

Onde houver
dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro,
que eu leve a verdade.

Onde houver
tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas,
que eu leve a luz.

 

Ó Mestre, fazei que
eu procure mais:

 

Consolar, que ser
consolado;

compreender, que
ser compreendido;

amar, que ser
amado.

 

Pois é dando que se
recebe.

É perdoando que se
é perdoado.

E é morrendo que se
vive para a vida eterna.

***

*

SÓ SENTE SAÚDADE QUEM AMA

383- Dedicado aos meus mais Fiéis Amigos e Companheiros
- LAICA e TICO

(Laica morreu no dia 28 de Março e o seu
filho o Tico morreu no dia 29 de Maio de 2012)

*

Na hora, que tiveram de partir

fizeram-no de tal modo que eu não pude

escutar o vosso derradeiro suspiro

e eu tivesse a certeza que dormiam
tranquilamente.

 

Não me mostraram os vossos olhos embaciados pelo
véu da morte.

Espero que os tenham encerrado firmes e
fortes, para que eu tenha a certeza que me guardaram nas vossas retinas.

 

Fizeram silêncio quando partiram, para que eu
não tentasse correr atrás de vocês.

Para que eu não assobiasse para vocês me
escutarem.

 

Nestes dias em que partiram, por favor,
tentem voltar,

preciso de vosso amor para me consolar,

de vosso pêlo para me aquecer os pés frios,

que a velhice tenta arrasar.

 

Não desejem voar para o Olimpo, para as
estrelas sozinhos,

não descubram planetas só para vocês.

Levem-me com vocês, vivo só, vou precisar da
vossa companhia.

 

Nos dias, em que partistes,

por vos sentires “cansados” de viver…,

pois vossas pernas não mais caminham

e já não podeis ladrar,

partam devagar, de mansinho,

não façam alarde

para eu me acostumar.

 

Quando correrem nos prados do céu

a brincarem, para Francisco de Assis se
alegrar,

rasgarem os panos com que Maria mãe de Cristo
quiser vos enrolar

não se esqueçam que eu estou na Terra a
chorar por vocês.

Guardem para mim um bocado de vosso coração,

toda vossa emoção para quando eu chegar

e faremos juntos nossa festa,

de beijos e abraços sem fim.

 

Minha querida LAICA e querido TICO,

eu não vivo sem vocês

e vocês não sonham sem mim.

Eu vos guardo eternamente no meu coração,

MEUS AMIGOS.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas"

385- Laica e Tico, símbolo de afecto

 

Penso em quantas lágrimas caíram

Mesmo sem saber eu que vocês choravam

Todo o dia a mim encontravam

Quando nem sequer meus olhos viram.

 

Posso contemplar ainda agora

Com o meu pensamento o vosso semblante

Cheio do amor tão cativante

Firme como o foi também outrora.

 

Força de quem luta em seu secreto

De quem ao Dono se entrega, ora

Deixam-me no rosto lambido brando.

 

LAICA e TICO, vosso nome é símbolo de afecto

E hoje, num só dia, o verso cora

Diante de duas vidas amando.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas" 

 

388- Lágrimas de chuviscos

 

As lágrimas libertas da minha alma

Soltam-se tão pesarosas, abundantes,

Quais cortejos de chuviscos cintilantes,

Caindo pelas folhas, suaves, calmas…

 

Minha alma confrangida chora tanto

O sofrimento das saudades abundantes

De vocês, Laica e Tico, já distantes,

E dói e chora alto o seu quebranto…

 

Ainda que meus dias se desfaçam

Sob a capa das angústias que os abraçam

E fiquem ao acaso, à sorte…

 

Jamais me esquecerei de vocês, eu juro,

Ainda que me enlouqueça tanto escuro,

Ainda que me leve a própria morte!...

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

389- Lágrimas

 

Lágrimas que caem pelo meu rosto,

Que afastam o desejo de viver,

São lágrimas de um desgosto

Que dilaceram e fazem sofrer.

 

Lágrimas que cunham, meu rosto,

Que criam ansiedade e desprazer,

São lágrimas frígidas, sem gosto;

Estigmas cavados de um querer.

 

Lágrimas que minha alma não destrói,

Que corroem lentamente;

Melancolia que castiga, dilacera e dói.

 

Lágrimas que caem por minha face

De um colossal afecto que se foi,

De uma nostalgia que vive eternamente.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas"

Acrílico em relevo sobre tela

 

384-Aquela mulher

 

Aquela mulher alegre e aguerrida

Que me apareceu nas trevas da fantasia
Com mirar sublime de escrava adormecida
Provocou em mim luminosa e límpida alegria.

 

Seus olhos fulgindo turvação
 Gravavam no semblante tristeza e dor
 Pela inalterável sofreguidão

Provocada por olhares lancinantes de rancor.

 

 E com magia e estranha melancolia
 Deixando-me no olhar deliciosa candura
 Como a noite, nas trevas se sumia
 Acarretando nos seios a ventura.

 

Quem és, virgem que encantas?

Quem és, mulher que matas?

Que em meu espírito deixaste noite escura

Provocando-me a insónia e a tortura.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

Óleo  em relevo sobre tela
Afecto de pai

 

67- Nostalgia

 

A nostalgia é como água de um rio,

Caminha continuamente sem parar…

Em sua cama, carpem as areias,

Somos nós em vida a prantear.

 

A nostalgia é uma fantasia,

Uma mente sempre atestada,

Não há lugar desocupado,

Onde não haja uma mágoa.

 

Ânsias de paixão, quem as não teve,

Quiçá, porque nunca amou

Por ter receio de fantasiar

Ou porque jamais acordou.

 

É sempre instante de acordar

E divagar uma vez na vida,

Mesmo que deixe uma dor

Nunca é nostalgia sumida.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

Acrílico em relevo sobre tela
Ternura

 

72- Felicidade

 

Felicidade não tem dimensão,

Nem tem carga,

Não se abona,

Não se apanha emprestada,

Não pode ser mercada,

Porque imaterial,

Não aguenta o cômputos,

Nos modelos físicos da nossa humanidade,

Só pode ser verdadeira.

 

Felicidade imitada não é felicidade,

É fantasia.

Mas,

Se eu soubesse fazer cálculos na dimensão do bem,

Diria que a felicidade pode ter dimensão,

Pode ser diminuta,

Grandiosa,

Ser da dimensão do Universo,

Ou cabendo nas conchas da mão.

 

Felicidade é erudição,

Fé,

Desejo de ir,

Intenção de permanecer,

Actualidade, antigo, vindouro.

 

Felicidade é segurança,

Crença e convicção,

Labor e actividade.

 

Não se pode ter urgência de ser afortunado,

Porque felicidade vem mansamente,

Como quem nada quer.

 

Ser feliz não provem do dinheiro,

Não provém de saúde,

Nem de soberania.

 

Felicidade não é consequência de jactância,

Nem de ostentação.

 

Felicidade é generosidade,

Não é ganância.

 

Só é afortunado quem sabe aguentar,

Perder,

Sofrer e desculpar.

 

Só é feliz quem sabe,

Particularmente, amar!

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

Acrílico em relevo sobre tela
Menina cantando

 

171- Memórias

 

O passado percorreu minha memória,

Recordei minha vida de tanto medo!

Dormi à sombra do salgueiro, lobriguei

As belas margens do Rio Mondego…

 

Caminhei pelas margens do Rio,

No costado do tempo a trotar,

Velejei nas águas das recordações,

Que o presente me faz relembrar.

 

Caminhei pelas ruelas da minha terra,

Vi meus sonhos de criança a cavalar,

Vi-me faminto e meus pés descalços

E a calçada escabrosa a magoar.

 

Recordei-me das ruas mal adormecidas,

Do Rio Mondego onde me ia lavar…

Do coreto no largo da feira,

Aonde ia ver a banda a tocar…

 

Hoje, ficam só as saudades, que os ensejos

Levados, a idade me trouxe ao recordar

Com o tempo, que no tempo jamais

Hão-de voltar.

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

Óleo em relevo sobre tela
Menina na praia

 

…393- Sorri

 

Sorri, quando o sofrimento te atormentar

 E a saudade martirizar

 Os teus dias tristes vazios;

 

Sorri, quando tudo acabar,

 Quando nada mais sobrar

 Do teu sonho encantador;

 

Sorri, quando o sol perder a luz

 E sentires uma cruz

 Nos teus ombros estafados doridos;

 

Sorri! Vai enganando a tua dor

 E ao notarem que tu sorris,

 Todo mundo irá supor

 Que de verdade és feliz!

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

Coimbra-Portugal
Óleo em relevo sobre tela
 

390- Ser solitário

 

Pela escura noite caminho sozinho,

 Sozinho,

Solitário e sem destino.

Minha alma rompe a chorar de dor e solidão,

Não importa.

Desamparado, tudo é em vão!

Ressoa pela alvorada o meu brado de criatura abandonada,

Não interessa.

Não há alma por perto para ter compaixão.

Amigos não tenho,

Família não existe!

A amante certa não surge,

Existir sozinho, é que não interessa.

Caminho a chorar

Sem um amparo amigo,

Sem ninguém para me confortar.

A solidão, é minha punição.

Sofrendo esta vida sem ninguém,

Sem amante, sem amizades e nem família.

Nada pior,

Do que ser, um ser solitário!

Deolindo Pessoa cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

326- A flor e o rio

 

Deixa-me, deixa-me, rio! Dizia

A flor, zonza de terror.

E a torrente, ruidosa e fria,

Trovava, arrastando a flor.

 

Deixa-me, deixa-me, rio!

Proferia a flor a chorar:

Eu fui nata no monte...

Não me arrastes para o mar.

 

E a torrente, veloz e fria,

Com um refrulho galhofador,

Por cima da areia corria,

Corria arrastando a flor.

 

Ai, abanos do meu esgalho,

Abanos do ninho meu;

Ai, cristalinas gotas de orvalho

Caídas do anil do céu!...

 

Lacrimejava a flor, e carpia,

Alva, alva de terror,

E a torrente, ruidosa e fria

Rebolava arrastando a flor.

 

Adeus, frescura das ramadas,

Trovas do rouxinol;

Ai, alegria das madrugadas,

Canduras do pôr-do-sol;

 

Carinho das aragens leves

Que abrem rasgos de luar...

Rio, rio, não me leves,

Não me arrastes para o mar!...

 

As correntezas da vida

E as sobras do meu amor

Escorregam numa descida

Como a do rio e da flor...

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétralas de Lágrimas "

 

 

311- Minhas pegadas

 

Na margem do rio marquei meus pés
Voltei-me satisfeito e vi.
Rio Mondego inconstante, por quem és,
Não escales até aqui.

Imploro-te: em tua jornada,

Nesse teu imprudente correr,
Não apagues esta caminhada,
Pelo valor que ela pode ter.

Caminhar é tudo o que faço
Nesta margem, nesta areia,
E depois contemplar meu traço,
Até vir a maré-cheia.

Já lavrei minha história,
Já fui legado, já fui astro

E agora meu percurso
É unicamente este rastro.

 

 Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

271- Rio Mondego para onde vais

 

Rio Mondego para onde vais,

Com tal sofrimento no teu leito,

Ao longe escuto os teus ais,

Arrancados do fundo do teu “peito”!

 

Rio Mondego pejado de segredos,

Desta Pátria és o maior e mais perfeito,

Percorres este vale serpenteante,

Rio sem mancha, sem defeito!

 

Rio Mondego de água temperada,

Límpida e bem cristalina,

Leva saudades à minha terra,

 

Leva-lhe esta rosa vermelha,

Diz-lhe quanto por mim é amada,

E que jamais será por mim olvidada!

 

Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

 

 

298- Os mesmos álamos…

 

Regressei e caminhei pelo mesmo lugar

Aonde na estação de Inverno ali escrevi

Sobre os álamos sem folhas que vi

Mas reviveram e pude enxergar.

 

Achavam-se eles com renovado vigor

Numa tarde calorenta de Verão,

Contemplei e senti uma forte inspiração,

Voltei a descrevê-los com muito amor.

 

Permaneci a observar os ramos vacilando

Suas verdes ramagens dando frescor

Assopradas pela brisa abanando.

 

Várias cegonhas ao seu redor,

Toda a natureza se exultando,

Lindíssima oferenda do Criador.


 Deolindo Pessoa Cadima - in " Pétalas de Lágrimas "

publicado por cadimaartistaplastico às 23:00
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